Publicado por: revistainternacionaldoconhecimento | 13/12/2010

SANEAMENTO: Principais acontecimentos da Historia do Saneamento no Município do Rio de Janeiro (1863/2007), por Margareth A. de Azeredo, Ana Lucia Seroa da Motta e Marco Leão Gelman

Principais acontecimentos da Historia do Saneamento no Município do Rio de Janeiro (1863/2007).

 

Margareth A. de Azeredo

Ana Lucia Seroa da Motta

Marco Leão Gelman 

Resumo

 

Este artigo relata historicamente o inicio das intervenções ligadas ao saneamento básico no município do Rio de Janeiro com a finalidade de descrever os principais fatos que marcaram as operações ocorridas ao longo do tempo até os dias atuais. O trabalho se inicia em 1863 indo até a instituição da Rio Águas em 2007.

Palavras chave: Saneamento urbano, política sanitária e saúde pública.
 
Abstract

This article historically relates the beginning of the intervention connected to the basic sanitation of the Rio de Janeiro County with the purpose of describing the main facts that marked the operations that occurred since a long time ago until nowadays.  The work initiated in 1863 and it ended up in the “Rio Águas” establishment in 2007

Introdução

O presente trabalho está dividido em três partes. Ele se orienta na análise histórica dos fatos ligados ao saneamento urbano com a intenção de se buscar na fundamentação teórica e valendo-se da metodologia da revisão bibliográfica, a identificação do processo de gestão de saneamento, seus antecedentes e os primeiros fatos que ocorreram no ano de 1863. Na primeira fase descreve-se o papel da empresa City Improvements Company. Neste momento a cidade iniciou um processo de saneamento com a construção das primeiras redes de esgotamento, sendo este considerado o primeiro marco histórico. Estas redes foram construídas pela empresa City Improvements Company doravante denominada City, única responsável pelas primeiras obras de saneamento.

Dando continuidade, será abordada a segunda fase. Ela se inicia quando do término do contrato com a empresa City em 1947. Neste momento todos os direitos, compromissos e obrigações decorrentes dos contratos foram transferidos para a Prefeitura do Distrito Federal. A partir daí foram incorporados ao Departamento de Águas e Esgoto (DAE). Neste momento, os proprietários e construtores estavam autorizados a fazer as instalações domiciliares de esgotos mediante a licença emitida pelo DAE. Em 1956 este departamento foi subdividido em Departamento de Esgotos Sanitário (DES) e Departamento de Águas (DAA).

Em um terceiro momento serão apresentadas as ações relacionadas ao período em que houve a fusão entre o Estado da Guanabara e o Estado do Rio de Janeiro. Nesta ocasião foram unificadas a Companhia Estadual de Águas da Guanabara (CEDAG), a Empresa de Saneamento da Guanabara (ESAG) e a Companhia de Saneamento do Estado do Rio de Janeiro (SANERJ), criando-se a Cedae. Ela hoje divide com a Rio Águas, setor municipal responsável pela drenagem das águas pluviais, a gestão do saneamento no Município do Rio de Janeiro.

Fundamentação teórica

A fundamentação teórica apóia-se na revisão da história da implantação do saneamento no município do Rio Janeiro. Conforme Silva (2002), a constituição dos serviços de saneamento básico na cidade se deu com o surgimento das questões sanitárias quando a cidade era a capital do Império, em meados do Séc. XIX.

Até este momento todas as intervenções realizadas não chegavam a se classificar como uma política de saneamento. Tratava-se de ações que alcançavam apenas áreas localizadas em obras pontuais e descontínuas. Não havia nesta época instituições e organizações do Estado no que diz respeito a questões urbanas e de infra-estrutura.

Os antecedentes do saneamento da cidade do Rio de Janeiro foram marcados por uma situação que foi se agravando e culminou em um estado considerado gravíssimo por todos os entendidos. Ocorriam varias epidemias de varíola, além da febre amarela trazida do exterior para o Brasil, causando verdadeiros surtos, e acabando com muitas vidas (Silva, 2002). No Rio de Janeiro, cidade portuária importante para a economia agroexportadora, núcleo da gestão administrativa, porta de entrada do Império e centro do país, era necessário que as primeiras intervenções ocorressem e o ponto de partida foi a epidemia da febre amarela que ocorreu de 1849 até 1851 (Andrade, 1986).

Com todas essas epidemias, houve o inicio das intervenções. Antes o esgotamento era efetuado através dos “tigres”, escravos, que à noite, carregavam tonéis de excreta das habitações até o mar, lançando-os em frente ao largo do Paço (Marques, 1995).

Em função do surto epidêmico ocorrido em 1849, foi criada a Junta Central da Higiene Pública em 1851.Ela seria responsável pela organização e exercício da política sanitária em terra, monitorando todos os espaços potencialmente perigosos da cidade. Nos relatórios da Junta era citado o estado de insalubridade em que se encontrava a cidade, sendo as causas, listada a seguir (Silva, 2002):

a) Despejos das imundícies, unidos aos esgotos, despejos orgânicos e a umidade;

b) Os rios que trajetam pela cidade carregados de imundícies;

c) O matadouro; o lixo das ruas e das praias;

d) Os cemitérios;

e) As fabricas e estabelecimentos industriais e

f) A umidade nociva pela falta de escoamento para as águas pluviais e do esgotamento sanitário.

Neste contexto, o município do Rio de Janeiro foi se expandindo. Criado em condições anti-higiênicas, com a inexistência de um planejamento, suas ruas foram construídas com graves erros. Seus terrenos eram considerados abaixo do nível da maré. A cidade teve a sua expansão entre lagoas e pântanos e eram comuns os alagamentos que eram causados pelas fortes chuvas que não eram escoadas adequadamente.

Segundo, Silva (2002), as copiosas e freqüentes chuvas, que caíam, faziam transbordar as valas, inundando as ruas de imundícies e detritos de toda sorte. O escoamento das águas se dava lentamente, e em muitos trechos elas só desapareciam depois de evaporadas pelo calor solar (Silva, 2002, pág.45 VI).

Diante deste quadro, o Imperador D. Pedro II cria a Lei 884 de 01.10.1856 autorizando o governo a contratar uma empresa de serviço de limpeza e esgoto para a cidade do Rio de Janeiro. Em 25 de abril de 1857 foi assinado um contrato com os empresários João Frederico Russel, Joaquim Pereira Vianna de Lima Junior e o inglês Edward Gotto. Trata-se de um marco decisivo para o saneamento da cidade. Mais tarde este contrato fora transferido a empresa inglesa Companhia City (CITY, 1940)

Neste momento, segundo Marques (1995), se inaugurava uma nova etapa na organização da higiene publica no país. O saneamento urbano se tornava o objetivo principal da intervenção sendo estabelecida a primeira ação coletiva tendo como objeto o esgoto da cidade.

Com este novo quadro onde as questões urbanas eram priorizadas a empresa inglesa The Rio de Janeiro City Improvements Limited em maio de 1863 firmou contrato para a construção das primeiras redes de esgotamento sanitário. Foi assim construída a rede de esgotos coletados que eram destinados a uma estação de tratamento que se resumia a um tanque de precipitação química. O material sólido era vendido como adubo e o efluente da estação encaminhado até o mar. (Telles, 1994).

A Cidade do Rio de Janeiro foi a terceira cidade do mundo a ser dotada de rede de esgotos sanitários, precedida por Londres (1815) e Hamburgo (1842). Somente Londres, como Capital se antecipou ao Rio, na construção de suas redes de esgotos. (CEDAE)

Inicialmente a City dividiu a cidade em três distritos (City) :

· Primeiro Distrito (0,96 km2): São Bento, posteriormente denominado de Arsenal, (compreendendo a parte central da cidade);

· Segundo Distrito (1,70 km2): Gamboa (do Estácio de Sá ao Catumbi);

· Terceiro Distrito (1,58 km2): Glória (Laranjeiras, Silvestre, Santa Teresa, Morro da Glória, Flamengo, Catete, Lapa).

O sistema de esgotamento da City era o misto ou separador parcial, no qual a rede de esgotos dos prédios recebia os despejos sanitários e as águas pluviais dos pátios internos e telhados. Ocorria em dias de chuva, em face do grande volume das águas coletadas transbordamentos e alagando das ruas, o que trazia transtornos à cidade.

Até 1887, a City tinha construído as seguintes Estações de Tratamento: Arsenal, Gamboa, Glória, São Cristóvão, Botafogo e Alegria. A foto 1 mostra o prédio onde foi instalada a Casa de Máquinas e a ETE Alegria, construído em 1884 (Silva, 2002, VI, p.128).

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Foto 1: Prédio da Casa de Máquinas e da ETE da Alegria , construído em 1884(Silva, 2002. p.129).

Ainda segundo ao autor, até 1890 o sistema era o misto e isto causou em época de fortes chuvas o transbordamento de poços de visita que não suportavam a carga que recebiam. Após este período houve revisões de contratos criando-se extensões dos mesmos. Ao mesmo tempo foram impostas varias obrigações de revisão das instalações de esgoto e metas a serem cumpridas em função das deficiências detectadas.

As condições sanitárias do Rio de Janeiro continuavam a ser preocupantes e as criticas aos serviços da City não cessavam. As deficiências encontradas exigiram a formação de comissões com a finalidade de formar relatórios e detectar os problemas e as fragilidades do sistema adotado. A qualidade dos serviços apresentados deixava a desejar e não estavam acompanhando o ritmo com que a cidade crescia, causando grande insatisfação, sendo taxados de serviços caros e ineficientes.

Ocorre que somente nos três primeiros distritos criados foi implantada a rede de esgotamento baseado em estudos preliminares. Eles resultaram em um projeto amplo.A partir da assinatura de novos contratos a City estudava as novas redes.Elas eram quase sempre prolongamento das redes existentes. Os serviços de ampliação, portanto, não eram baseados em estudos preliminares e iriam ser feitos sem o planejamento adequado (Silva, 2002).

Ainda de acordo com Silva (2002), esta situação aliada à orientação de não se construir galerias e coletores muito profundos, levou a City a instalar grande número de estações elevatórias. Elas se constituíram depois em um encargo pesado para o DES e os órgãos que o sucederam, dadas as dificuldades técnicas de material e pessoal, para mantê-las em bom funcionamento (Silva, 2002, p.106 VI).

Após o ano de 1890, as redes de esgoto chegaram a Tijuca, Andaraí, Gloria e à Botafogo.Em 1906 a City inaugurou a primeira rede do Rio de Janeiro construída no sistema separador absoluto, isolando totalmente as águas de esgoto das de águas pluviais. Ele foi construído em Copacabana. (Marques, 1995).

O tratamento dos afluentes era precário. Em 1918, o período máximo de retenção nos tanques era de 1h 28 min. Somente nos primeiros anos após a sua construção estes tanques preencheram a sua finalidade, permitindo um período de 2 horas de retenção. Para agravar a ineficiência da City, a descarga das lamas deixou de ser feita com freqüência. Era comum que as lamas ficarem sofrendo fermentação e putrefação. Isto aumentava o teor da matéria orgânica em suspensão no esgoto efluente em vez de reduzi-lo, sendo este material jogado diretamente no mar (Silva, 2002, pg. 130 VI).

A Inspetoria de Água e Esgoto, criada em 1924 ficou com o encargo de executar, por administração direta, o esgotamento de Ipanema, Urca, Lagoa Rodrigo de Freitas, Leblon e Penha. Já os serviços que abrangiam o trecho do coletor predial, entre o limite da propriedade e o coletor público de esgotos seriam à custa do proprietário. Os prédios esgotados ficaram responsáveis por pagar a taxa de saneamento estabelecida pelo Decreto 24.501 de 09.07.1934(Silva, 2002, p 255. VI).

De acordo com Silva (2002) em 1932 foi elaborado um relatório realizado pelo Engenheiro André Machado de Azevedo relacionando as ações que a City deveria programar. Para que o contrato fosse cumprido as seguintes ações deveriam ser realizadas:

1. Empregar reagentes tão puros quanto possível para evitar a produção de resíduos inertes, misturando com as águas fecais antes de sua penetração nos tanques de precipitação;

2. Ampliar os tanques e filtrar o efluente e desinfetá-lo antes de descarregá-lo no mar. (Silva, 2002.p.137 VI).

Em 1933 a City adquiriu na Inglaterra três embarcações com capacidade de carga de 250 t, que seriam encarregados de transportar as lamas para o alto mar, que seriam jogados a 11 a 13 km fora da barra.

A lama era transportada por carroças de ferro fechadas. Ela era direcionada para a Ilha de Sapucaia na Baía de Guanabara. Frequentemente este material era jogado diretamente na Baía de Guanabara, apesar dos protestos das autoridades e da população. Somente em 1934, depois de 72 anos, o sistema de transporte foi modificado. Foi adotado um sistema mais técnico, mediante a instalação de bombas que recalcavam o material diretamente para embarcações (IAE, 1934).

No decorrer da atuação da City como responsável pelo saneamento no Município do Rio de Janeiro, os critérios utilizados pela empresa inglesa eram considerados precários e com isto foi gerando um aumento no grau de insatisfação. Seus serviços eram deficientes e não atendiam a nova realidade da cidade e por este motivo as negociações foram encerradas em 1934.

Em 1937 a Inspetoria de Água e Esgoto (IAE) através da Lei nº. 378, foi substituída pelo Serviço de Águas e Esgoto do Distrito Federal (SAEDF). Ele deu andamento nas obras não concluídas pela Inspetoria realizando os serviços da rede de esgotos da Penha e Olaria; a Estação de Tratamento da Penha; os projetos das redes de esgotos da área marginal da Lagoa Rodrigo de Freitas; a Estação de Tratamento da Urca; as instalações domiciliares dos subúrbios da Leopoldina e zonas suburbanas (Silva, 2002 ).

Vale ressaltar que a Estação de Tratamento do Leblon já tinha sido prevista pela City e aprovada em 1908. Porém nunca havia sido construída. Por muito tempo, os despejos eram direcionados, em estado cru, para a encosta da Avenida Niemeyer. Tanto os dejetos da rede da City quanto os da rede da Inspetoria eram lançados ao mar diretamente.

Até o final do contrato, em todas as estações de tratamento construídas pela City, o efluente sanitário passava por uma grade de barras, de limpeza manual, que retinha os materiais grosseiros. Este material sendo despejado no poço de reunião e daí recalcado para os tanques de decantação pelas Estações Elevatórias. O efluente recebia leite de cal e sulfato de alumínio, e, às vezes, carvão vegetal, antes de alcançar os tanques de sedimentação. A mistura desses reagentes era feita manualmente, sem técnica, exceto na de Botafogo, que ganhou um misturador elétrico. Após receber o tratamento primário, o efluente dos tanques era jogado diretamente no mar. Este tratamento clarificava o material e removia apenas 50% dos sólidos em suspensão em função de não serem submetidos à filtração como deveriam (Silva, 2002, p.128 VI) .

A insatisfação com os procedimentos da empresa responsável pelo saneamento no município do Rio de Janeiro, continuava sendo motivo de várias notificações. Continuamente se davam as recomendações pelo setor de fiscalização para que houvesse a melhora na qualidade dos serviços prestados.

Embora isto ocorresse nada foi feito na época, sendo a maior gravidade as questões relacionadas com o tratamento dos despejos. A empresa mantinha a forma rudimentar dos serviços iniciais misturando manualmente a cal com as águas de esgoto. A falta de filtragem nos efluentes dos tanques e a grande desproporção de capacidade destes tanques, comparando com o volume atual dos despejos eram problemas constantes. A City, portanto não havia evoluído nos procedimentos, mas a cidade continuava a crescer aceleradamente.

A City continuou a explorar os serviços já contratados até o ano de 1947, quando terminou seu contrato. Neste momento ocorreu a transferência dos serviços para a Prefeitura do Distrito Federal. Ficando responsáveis pelos serviços seu Departamento de Águas e Esgotos (DAE), da Secretaria Geral de Viação e Obras.

A DAE tinha o privilégio de elaborar projetos das instalações prediais dos prédios, cabendo aos instaladores a execução dos projetos aprovados. A DAE realizou os seguintes serviços e obras:

1- Iniciados em 1947: 30.700 m de coletores de esgotos, com diâmetros entre 0,15m e 0,50 m; 270 PV’s, 54 tanques fluxíveis na Avenida Brasil; inicio da construção da ETE da Penha.

2- Iniciados em fins de 1948: 3.948 m de coletores de esgotos com diâmetros de 0,15 m a 0,30m; 52 PV’s e 34 tanques fluxíveis, em Ramos, Olaria e Penha (Silva, 2002.p 292. VI).

Em 1949 foi criado um regulamento que avançou em relação aos antigos regulamentos existentes. Ele ditava as disposições sobre projetos, execuções e fiscalização das instalações domiciliares tratando dos seguintes assuntos:

· Definições das partes constituídas das instalações;

· Condições a serem cumpridas para o esgotamento dos prédios, pelo sistema de coleta de despejos e das águas pluviais, pelos materiais empregados e pelos elementos de inspeção das instalações;

· Tubos de quedas, canos de descarga e ventilação das instalações domiciliares;

· Ralos, caixas de descarga, aparelhos sanitários e caixas de gorduras;

· Provas de impermeabilizações e segurança;

· Instaladores matriculados no DAE e seus deveres, obrigações e penalidades (Silva, 2002, p. 318, VI).

A partir dos anos 50 se deu um movimento urbano acelerado. Foi necessário criar um Departamento que se encarregasse de gerir tanto a parte urbana, quanto aquela relacionada ao esgoto, uma vez que ambas estavam intrinsecamente ligadas. Desta forma em 1957 foi criada a Sursan – Superintendência de Urbanização e Saneamento. Ela foi constituída pelo Departamento de Esgotos Sanitários (DES) e Departamento de Urbanização DU) sendo as seguintes as atribuições ligadas ao DES:

a) Projetar, construir, reparar, manter e limpar toda a rede de esgotos sanitários do Distrito Federal;

b) Projetar, construir, operar, reparar e manter todas as estações elevatórias, estações de tratamento e instalações de destino final de esgotos do Distrito Federal;

c) Preparar padrões e regulamentos para a construção e uso de instalações de esgotos sanitários e fiscalizar o cumprimento de tais dispositivos;

d) Projetar e executar a ligação dos ramais prediais à rede pública;

e) Controlar a poluição das praias da Baia de Guanabara, lagos e rios em todo o Distrito Federal (Silva, 2002, p.21.VII).

Em 1953 a fim de corrigir as deficiências do antigo regulamento de 1949, foram iniciados estudos para ser elaborado novo regulamento. Este foi aprovado em 1954, abolindo o uso do sifão desconector adotado pela City. Neste momento também foram estudados os problemas dos despejos industriais e do esgotamento situado abaixo do nível das ruas, o que auxiliou no correto esgotamento dos prédios.

Até 1960 a rede de esgotos sanitários do antigo Estado da Guanabara era de 1.142 km. O DES/SURSAN, em 1961, construiu o total de 39 km elevando o total para 1.181 km. Em 1965 o DES passou a chamar-se Departamento de Saneamento, com a mesma sigla DES. A partir deste ano, este Departamento deu continuidade ao plano de Obras Prioritárias do Estado da Guanabara, realizando as seguintes construções (Silva, 2002, p.97. VII):

1-Construção do IO- trecho Botafogo- Arpoador

2- Alargamento da praia de Copacabana;

3-Trecho do IO- Avenida Atlântica;

4- IO- Avenida Princesa Izabel;

5- Elevatória Bombas Parafuso;

6- Elevatória André de Azevedo;

7-Reforma e ampliação da Elevatória de Botafogo;

8- ETE da Penha-Ampliação;

9-ETE da Ilha do Governador;

10- Cidade Universitária – Rede de esgotos e elevatória;

11-Rede de esgotos e elevatória da Ilha do Fundão;

12-Rede de esgotos de Pedra de Guaratiba;

13-Elevatória de Manguinhos;

14-Elevatória de Timbó;

15-IO- Zona Sul-Construção no Morro de Cantagalo;

16-ETE da Cidade de Deus;

17- Equipamentos Especiais para limpeza de rede de esgotos;

18-Canalização do Rio Berquó e obras complementares,

19- Obras de emergência devido aos temporais de 1961.

A foto 2 mostra a construção do IO da Av. Atlântica iniciado em 1969 com o alargamento da Avenida que foi concluído em 1971.

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Foto 2: Parte da construção do Interceptor Oceânico na Av. Atlântica. Álbum de construção do IO, Departamento de Saneamento/SURSAN, 1971(Silva, 2002, VI).

A partir da reforma tributária de 1965, os municípios foram impelidos a delegarem os serviços de água e esgoto às companhias estaduais recém-criadas, através de contratos de concessão de 30 anos.

A Lei 2.097 de 16 de 09 de 1972 autorizou o Poder Executivo a criar uma empresa pública, destinada a exercer as atividades que cabiam ao Estado, ligadas aos problemas dos esgotos. Desta forma foi criada a ESAG- Empresa de Saneamento da Guanabara. Esta empresa teve com a atribuição executar serviços relativos à coleta, transporte, tratamento e disposição final dos esgotos, tendo como objetivos:

1. Eliminar a poluição da Baía de Guanabara, decorrente de esgotos sanitários do Estado e de áreas limítrofes; remanejar a rede de esgotos existentes;

2. Construir redes de esgotos em áreas ainda não esgotadas (Silva, 2002, p.103. V II).

Tanto as Estações de Tratamento quanto as Estações Elevatórias que existiam no Estado da Guanabara foram transferidas para a ESAG. Os sistemas se subdividiram em três áreas com as seguintes responsabilidades:

O Sistema Guanabara composto de:

1. Elevatórias: Bacia de Copacabana, Bacia da Lagoa, Sub-bacia do Jardim Botânico, Bacia de São Conrado, Bacia do Governador, Bacia do Fundão, Bacia de Paquetá, Bacia de Acari, Bacia de São Cristóvão, Bacia de Alegria, Bacia do Catumbi, Bacia do Centro,Bacia de Botafogo, Bacia do Timbó- Faria, Bacia da Penha e Bacia de Bangu.

2. Estações de Tratamento: Penha,Governador,Galeão, Vila Kennedy, Coqueiros,Realengo.

3. Interceptor Oceânico: Zona Sul, Interceptor da Lagoa, Interceptor Zona Norte, Interceptor Centro,

O Sistema Jacarepaguá composto de:

1. Elevatórias: Bacia de Jacarepaguá

2. Estações de Tratamento: Cidade de Deus, Juliano Moreira, Santa Maria.

O Sistema Sepetiba composto somente da Sub-bacia de Guaratiba com duas elevatórias interligadas.

Em agosto de 1973 a ESAG deu inicio a construção do Emissário Submarino de Ipanema. O projeto previa o lançamento de 6m3 /s de esgotos no Oceano Atlântico. Isto foi feito através de uma tubulação de 2,40m de diâmetro, 4.325 m de comprimento e 28 m de profundidade. Lançando os dejetos nas proximidades das Ilhas Cagarras. Previa-se nesta época que o volume poderia chegar em 2000 a 12m3/s (CEDAE).

Segundo Silva (2002) a previsão era de que ao entrar em funcionamento o Emissário Submarino de Ipanema deveria eliminar os lançamentos de esgotos na Ponta do Vidigal e no Costão do Pão de Açúcar, mas isto não aconteceu. Estas Obras foram concluídas pela ESAG e inauguradas pela CEDAE em 1975.

Já em 1974, por força da Lei de nº. 20, houve a junção dos Estados e Territórios. Neste momento ficou estabelecido que os Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro passariam a constituir o Estado do Rio de Janeiro. Houve em 1975 a fusão da ESAG, SEDAG e SANERJ.Com esta união, foi criada em 1º de agosto de 1975 a Companhia Estadual de Águas e Esgotos – CEDAE – que absorveu a companhia Estadual de Águas da Guanabara – CEDAG, a Empresa de Saneamento da Guanabara – ESAG e a Companhia de Saneamento do Rio de Janeiro – SANERJ.

Com a criação da CEDAE, os setores de água e esgotos, que ao longo de sua história estiveram a maior parte do tempo separados, ficaram juntos para facilitar os objetivos do Plano Nacional de Saneamento (PLANASA). Através deste plano o governo Federal, o Estado e os Municípios reuniam recursos financeiros para solucionar seus problemas de saneamento básico (CEDAE). O Município do Rio de Janeiro deixou de ser gestor das políticas de saneamento, cabendo este papel ao Estado até 2007. Neste momento, através de um Convenio entre o Estado e o Município, foi passada para a Prefeitura, através da Rio Águas, a Gestão da AP5, região que envolve 21 bairros da Zona Oeste da cidade.

Desta forma, o Município atualmente tem a sua gestão no setor de saneamento básico realizado por duas empresas que, alem de serem responsáveis pelas aprovações de projetos e licenciamento das unidades a serem implantadas pela expansão urbana, são responsáveis pela implantação de novas redes e pelo sistema de tratamento e destinação final dos rejeitos.

Hoje a Cedae e a Rio Águas seguem cada uma com a sua maneira de administrar, adotando técnicas e formas diferenciadas que estão diretamente ligadas à todas as intervenções e ações que fazem parte da administração do saneamento básico do Município do Rio de Janeiro.

Conclusão

O presente artigo fez uma revisão histórica dos principais acontecimentos relacionados à implantação dos serviços de esgotamento sanitário no município do Rio de Janeiro. Ele se dividiu em três fases: o inicio da implantação da rede coletora por uma empresa inglesa, a segunda fase descrevendo o papel do Estado na continuidade destes serviços e a terceira relatando a criação da Cedae e da Rio Águas. Teve a intenção de aprofundar algumas questões que tem levado a diversas interpretações e correlações com os acontecimentos atuais.

Referências Bibliográficas

 

CEDAE, A história do tratamento de esgoto no Rio de Janeiro disponível em www.cedae.com.br, acessado em. 18/10/2009.

CEDAE, O Emissário Submarino de Ipanema. Álbum (da Construção da Obra, Rio de Janeiro Arquivo do Engenheiro Luiz de Souza Botafogo) apud Silva, José Ribeiro da. Os Esgotos do Rio de Janeiro. VI. 2002.

CITY. Noticia sobre os esgotos da cidade do Rio de Janeiro, Correio da Manhã, 15.11.1940 apud Silva, José Ribeiro da. Os Esgotos do Rio de Janeiro. VI. 2002.

CITY. Arquivo da .apud Silva, José Ribeiro da. Os Esgotos do Rio de Janeiro. VI. 2002.

IAE-Inspetoria de Água e Esgoto relatório 1937 apud Silva, José Ribeiro da. Os Esgotos do Rio de Janeiro. VI. 2002.

MARQUES, Eduardo César. Da higiene à construção da cidade: O Estado e o saneamento no Rio de Janeiro, 1995.

Silva, José Ribeiro da. Os Esgotos do Rio de Janeiro. VI. 2002.

Silva, José Ribeiro da,.Os Esgotos do Rio de Janeiro. VII. 2002.

Telles, Paulo César. historia de Engenharia no Brasil; séculos XVI a XIX. Rio de Janeiro.Clube de Engenharia/Clavero, 1994.


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  1. Gostei muito da publicação!


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