Publicado por: revistainternacionaldoconhecimento | 02/12/2010

SANEAMENTO – LIXO E ENERGIA: INOVAÇÃO PARA A ECONOMIA AMBIENTAL E ENERGÉTICA. Marco Leão Gelman et al.

LIXO E ENERGIA: INOVAÇÃO PARA A ECONOMIA AMBIENTAL E ENERGÉTICA.

Por : Fernando Benedito Manier , Helena Fully, Luana Britto, Marco Leão Gelman, Sofia Gesteira.

 

RESUMO

Este trabalho apresenta as diferentes práticas de tratamento do lixo e as inovações no ramo que diz respeito à obtenção de energia. Inclui também considerações sobre as vantagens desse processo no meio ambiente, na economia, e nas questões sociais.

Foram tratadas as diferentes formas de tratamento e armazenamento do lixo, como o aterro sanitário, o aterro controlado, incineração, compostagem, tratamento biológico, células foto-eletroquímicas, fotocatálise e reator de plasma. Sendo que estas diferenciam-se quanto aos aspectos ambientais, uma vez que cada tecnologia tem seu impacto específico, mas deve-se salientar que, independente da tecnologia empregada, o impacto ambiental maior ainda é o destino irregular dos resíduos sólidos urbanos, ou seja o lixo

PALAVRAS-CHAVE

Lixo, formas de tratamento do lixo , impactos ambientais .

ABSTRACT

This paper presents the different practices waste management and innovations in the field that says regarding the attainment of power. It also includes
considerations on the advantages this process in the environmental, economic, and social issues.

We treated the different forms of treatment and storage of trash, like the landfill, the landfill, incineration, composting, biological treatment, photo-electrochemical cells, photocatalysis and plasma reactor. And these differ on the environmental aspects, because each technology has its specific impact, but it should be noted that regardless of the technology employed, the largest environmental impact is still the destination of illegal solid waste, ie the garbage.

KEYWORDS

Garbage, forms of waste treatment, environmental impacts.

OBJETIVO 

O objetivo deste trabalho é apresentar as diferentes técnicas de obtenção de energia a partir dos resíduos sólidos urbanos, resolvendo assim dois grandes problemas.

INTRODUÇÂO

Lixo é definido como tudo aquilo sem valor agregado, que não tem nenhuma função. No entanto, já se sabe que o mesmo pode ser reaproveitado e reutilizado de diversas formas, tal como energia elétrica.

A sua história, pertence à própria história da civilização humana, pois o homem é o único ser vivo que não consegue ter seus dejetos inteiramente reciclados pela natureza.

Originalmente a palavra lixo vem do latim lix que significa cinzas ou lixívia. No Brasil, atribui-se ao lixo, segundo a NBR – 10.004 Classificação de 1987 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) a denominação de Resíduo Sólido; residuu, também do latim, significa o que sobra de determinadas substâncias, e sólido é incorporado para diferenciara dos resíduos líquidos e gases. (Roberta Borges de Medeiros Falcão; Tomaz Edson Pereira de Araújo)

O homem ao se fixar em determinadas regiões, passou a acumular ali resíduos sólidos, que nas primeiras vilas e cidades, era geralmente levado para longe e acumulado em locais a céu aberto, os hoje chamados “lixões”, ou jogados em ambientes aquáticos. Na atualidade a história se repete, embora haja aterros controlados ou aterros sanitários em regiões mais protegidas. (Roberta Borges de Medeiros Falcão; Tomaz Edson Pereira de Araújo)

Um dos aspectos a ser considerados é a produção. A partir do plano Real, os brasileiros passaram a produzir muito mais lixo domiciliar, aproximadamente 1 Kg/dia, superior a países como a Alemanha e a Suécia segundo uma pesquisa feita pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – ABRELPE.

Assim, considerando uma média de vida de 70 anos, em toda a vida o brasileiro produzirá até 25 toneladas de lixo, valor ainda distante das nações desenvolvidas, como os Estados Unidos, que produzem cerca de 3,2 Kg por pessoa/dia. (Andréa Simone Silva)

O tratamento inadequado ou inexistente do lixo, além dos problemas ambientais como poluição do solo, água e ar, pode acarretar a proliferação de doenças, e afetar a economia dos países. Com isso tornam-se necessárias novas políticas para a sua redução, reuso e reaproveitamento. (Roberta Borges de Medeiros Falcão; Tomaz Edson Pereira de Araújo)

A falta de investimento no processo de coleta e disposição final do lixo é um grave problema enfrentado pelo poder público brasileiro. Aproximadamente 40% dos domicílios não contam com coleta regular, o que acarreta na queima, enterro, e má disposição em lugares públicos (e lixões), contaminando o ambiente e comprometendo a saúde humana. (Roberta Borges de Medeiros Falcão; Ana Paula da Silva Oliveira)

De acordo com o artigo 1º da Resolução do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) 001/86, impacto ambiental é qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causado por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente afetam a saúde, a segurança e o bem estar da população, as atividades sociais e econômicas, a biota, as condições sanitárias do meio ambiente, a qualidade dos recursos ambientais. (Roberto Naime)

A legislação Ambiental brasileira prevê sanções às empresas que poluem, de acordo com o artigo 22, como recuperar o meio ambiente, ficando ainda sujeitas a suspensão parcial ou total da atividade; interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade; proibição de contratar com o poder público, bem como dele obter subsídios, subvenções ou doações. (Renata de Freitas Martin)

Outro aspecto se refere ao tempo de decomposição dos materiais, onerando e provocando o acúmulo de resíduos e com ele novos impactos. A exemplo tem-se vidro como um material que demora em se decompor (cerca de 5 mil anos), Há também diferentes tipos de plástico que são resistentes a biodegradação com diferentes tempos de dissolução.

O líquido altamente poluente, escuro, turvo, malcheiroso, gerado na decomposição do lixo orgânico é chamado de chorume, dez vezes mais poluente que o esgoto doméstico. Ele é capaz de dissolver tintas, resinas e outras substâncias químicas de alta toxidade. (Roberta Borges de Medeiros Falcão)

Nos períodos de chuva, o chorume consegue infiltrar-se no solo com maior facilidade, o que gera a contaminação de rios, lagos, mananciais, e águas subterrâneas, podendo permanecer por muito tempo após o encerramento do lixão. Por isso fazem-se necessárias medidas de melhorias na impermeabilização do aterro e no tratamento adequado do chorume, visto que os métodos atuais são ineficientes, exigindo muito tempo e espaço físico. Uma das inovações de tratamento do efluente líquido é a fotocatálise (Roberto Naime)

As diferentes formas de tratamento e armazenamento que serão abordadas são: aterro sanitário, aterro controlado, incineração, compostagem, tratamento biológico (processo por oxidação), célula eletroquímica, fotocatálise, reator de plasma.

DESENVOLVIMENTO

O lixo tem ganhado espaço no cenário mundial nos últimos 30 anos pelo aumento de sua periculosidade, e da quantidade três vezes maior que o aumento populacional.

A evolução tecnológica tem papel importante no agravamento do problema, acarretando um grande descarte de produtos obsoletos, além do uso indiscriminado dos recursos naturais perante um consumo desenfreado. (Geila Santos Carvalho)

São necessárias novas formas de tratar os efluentes das descargas industriais, a fim de não ultrapassar os limites estabelecidos pelos órgãos de controle. Porém, a melhor estratégia em longo prazo seria minimizar a geração de resíduos através da otimização e adaptação dos processos, (Raquel F. P. Nogueira e Wilson F. Jardim), e principalmente da redução e racionalização do consumo.

Atualmente, novas técnicas de utilização dos resíduos, tanto sólidos quanto líquidos vêm sendo estudadas, principalmente nos países mais desenvolvidos que possuem uma demanda energética maior. Tendo em vista que o petróleo é um bem não-renovável, a tendência é que se invista cada vez mais em fontes alternativas de energia.

Os aterros sanitários são uma alternativa para alguns países reduzirem a taxa de emissão de metano e apresentam oportunidades de geração e recuperação de energia e produção de fertilizantes orgânicos (compostagem), que podem ser associados a um processo de reciclagem, com ganhos econômicos e ambientais por evitar a produção desnecessária dessa matéria prima virgem. Os Estados Unidos e o Reino Unido, entre outros, criaram programas de recuperação de metano que reduzirão suas emissões de metano em 50% ou mais nas próximas décadas e que têm um ganho econômico pelas emissões evitadas, e principalmente, pela recuperação ou geração de energia.

Estes programas de recuperação do metano não se restringem aos países de primeiro mundo, uma vez que alguns países em desenvolvimento, também apresentam um potencial para expandir programas de recuperação de metano como o que foi elaborado parcialmente em alguns lugares como o Brasil, e para promover tecnologias e práticas apropriadas em regiões como a Comunidade dos Estados Independentes e a Europa Oriental, e em países como Índia e China onde ocorre uma pequena recuperação de metano. Esse reaproveitamento do gás se deu através da implantação de programas de reciclagem, compostagem, e de aplicação energético deste.

Nos estados do Rio de Janeiro,e São Paulo têm-se feito estudos para a recuperação energética do gás proveniente do lixo de aterros sanitários. No Rio de Janeiro, a COMLURB e a CEG fizeram uma parceria no fim da década de 80 para coletar biogás do aterro sanitário do Caju.

No passado, durante as crises de oferta de petróleo, várias fontes de energia renovável, até então economicamente inviáveis, tornaram-se mais competitivas e ganharam um impulso no sentido do seu desenvolvimento. No Brasil, foram desenvolvidos projetos de fontes de energia eólica, solar, de pequenas centrais hidroelétricas e de biomassa, mais especificamente, do álcool de cana de açúcar para combustível veicular. Em relação ao aproveitamento energético do lixo, os escassos recursos que foram repassados para este fim, foram desenvolvidas algumas estações de reciclagem e a coleta de biogás de aterros sanitários em Natal e no Rio de Janeiro. Especificamente neste caso, a coleta de gás de lixo chegou a responder por 3% do gás natural distribuído pela CEG (Companhia Estadual de Gás do Rio de Janeiro) e parte do abastecimento da frota da COMLURB (Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro).

As técnicas de tratamento do lixo vão desde a primitiva incineração à mais moderna inovação do ramo: o reator de plasma.

O aterro sanitário é feito por camadas alternadas de lixo e terra, cuja base é impermeabilizada a fim de evitar a contaminação do subsolo, e os gases e líquidos formados na decomposição são retirados a partir de canais de drenagem. Com isso é possível impedir que haja proliferação de doenças e mau cheiro. Os gases são retirados do aterro por um sistema de chaminés e podem ser aproveitados como combustível. O chorume, no entanto, deve ser purificado em um reservatório específico.

Impermeabiliza-se o solo a partir do nivelamento da terra junto ao selamento da base com argilas e mantas de PVC e desta forma evita-se que o lençol freático seja contaminado pelo chorume. Este é coletado por drenos de PEAD e armazenado em poços de acumulação em que ficará até atingir as condições para o tratamento de efluentes (em torno de seis meses).

Uma decomposição anaeróbica começa formando o gás do lixo (metano) quando os resíduos são inseridos e compactados a uma densidade específica. As camadas na maioria das vezes tornam-se estratificadas. (Rachel Martins Henriques)

Se o aterro ainda não estiver coberto, melhor forma é utilizar tubos de sucção horizontais, porém se ele já estiver estabelecido, a melhor forma de se retirar o gás metano é através de tubos verticais perfurados. (Natalie Jimenez Vérdi de Figueiredo)

Para recuperar o gás formado nos aterros alguns países utilizam uma membrana impermeável protetora que impede a formação de gás já que obstrui a entrada de água, assim, para que a produção ocorra é necessário aplicar uma injeção de água sob a membrana. Esta é colocada sobre o aterro e consegue coletar e recuperar quase todo o gás, porém é uma solução que requer mais investimentos. (Rachel Martins Henriques)

Os aterros sanitários de Rio das Ostras , Nova Iguaçu , Piraí e Macaé são alguns exemplos de aterros licenciados no estado do Rio de Janeiro

O aterro controlado geralmente consiste em um depósito de lixo que foi selado com uma manta impermeável, coberto por argila e grama, com a possibilidade de captação do chorume e do gás. A fim de minimizar os impactos ambientais, faz-se a manutenção da cobertura do lixo, a transferência do chorume para o topo da pilha de lixo (para reduzir a contaminação do subsolo) e o eventual tratamento deste. (http://www.lixo.com.br/)

Assim como o aterro sanitário, o lixo dos aterros controlados fica concentrado em uma área menor, gerando uma poluição localizada. Porém, como a impermeabilização da base, o tratamento do chorume e a dispersão dos gases formados geralmente não são feitos de forma eficiente, o impacto ambiental dos aterros controlados é superior ao dos sanitários, mas é inferior ao lixão. (Isabel Cristina Pereira de Oliveira)

Do ponto de vista ambiental, a preocupação desses sistemas reside, principalmente, no gerenciamento dos efluentes líquidos, seja na forma de chorume (percolado) ou de águas do escoamento superficial. Quanto ao chorume, a maioria desses sistemas não dispõe de um sistema efetivo de drenagem e tratamento. Quanto à drenagem subsuperficial, normalmente verificam-se volumes de chorume muito abaixo daquele previsto em projeto, normalmente pelo balanço hídrico clássico. O chorume assim obtido normalmente é encaminhado para lagoas de tratamento que não receberam a devida impermeabilização ou são simplesmente recirculados a partir de poços de sucção ou tanques de armazenamento. Observa-se que o efluente final apresenta volumes bem inferiores àqueles previstos, o que pode denotar uma incompatibilidade do modelo empregado ou então, com maior probabilidade, a infiltração de grandes quantidades de chorume no solo. Como resultados, podem ser instalados sistemas de tratamento superdimensionados e de custo elevado.

Alguns exemplos de aterros controlados no estado do Rio de Janeiro: Angra dos Reis, Caxias (Gramacho), Nova Friburgo, Resende, Teresópolis, Barra do Piraí, Rio Bonito, Santa Maria Madalena, Petrópolis, Miracema, Maricá, Porciúncula, Natividade.

(http://lixo-lixoumproblema.blogspot.com/2008/06/lixo.html)

Um dos mais antigos métodos de tratamento do lixo é a incineração, que é um processo no qual os resíduos são destruídos por via térmica, geralmente com recuperação de energia. Uma instalação de incineração, de acordo com a legislação, é “um equipamento técnico referente ao tratamento de resíduos por via térmica com ou sem recuperação de calor produzido por combustão, abrangendo o local de implantação e o conjunto da instalação constituído pelo o incinerador, seus sistemas de alimentação por resíduos, por combustíveis e pelo ar, bem como os aparelhos e dispositivos de controle das operações de incineração, de registro e de vigilância contínua das condições de incineração”.

A incineração reduz o volume de resíduos sólidos urbanos através da combustão. Porém, este método não é adequado para vidros e metais, apenas para resíduos combustíveis. O processo gera a emissão de gases tóxicos como os furanos, por exemplo, além de ter um custo operacional elevado. O aproveitamento energético da matéria orgânica poderia ser uma vantagem do processo, no entanto, devido ao elevado teor de água, o poder calorífico desta é baixo, gerando pouca energia. (https://sites.google.com/a/biomassa.eq.ufrn.br/smallenergyecoenterprise/incineracao)

As zonas de grande produção de resíduos sólidos têm recebido um processo chamado de incineração que vem sendo adaptado para a redução de até 90% de volume inicial. Sua instalação é constituída por uma fossa de acumulação de resíduos, balde de garras para alimentação da câmara de combustão; alimentador da câmara de combustão por grelhas; câmara de combustão; caldeira de recuperação de energia. Nesta caldeira passam os gases resultantes da queima que tem por finalidade produção de vapor que pode ser utilizado diretamente em indústrias, para aquecimento da central ou para geração de energia elétrica. (https://woc.uc.pt/quimica/getFile.do?tipo=2&id=1164)

A incineração é feita em quatro fases, sendo a primeira a de secagem, em que se diminui a concentração de água dos resíduos; a segunda consiste na transferência do produto seco para a zona de combustão, em que a temperatura varia entre 400 e 500ºC, e é conhecida como ignição; a terceira consiste na combustão dos resíduos, em que a temperatura na caldeira varia entre 800 e 1100ºC; a última fase consiste na transferência para aterros sanitários, dos resíduos que permaneceram na caldeira após a combustão. (Delfina Gabriela Garrido Ramos)

No processo de incineração existem alguns componentes que devem ser levados em consideração no momento em que os resíduos são incinerados, como o poder calorífico inferior dos resíduos, a umidade e a composição das cinzas provenientes da queima dos resíduos.  Estes itens interferem diretamente no rendimento do processo de incineração, pois se a umidade for elevada, necessitaremos de maior energia para que haja a combustão dos resíduos. O poder calorífico nos resíduos é inversamente proporcional à energia utilizada para a combustão.

O lixo doméstico tem sido reaproveitado por muitos incineradores para a geração de vapor e energia elétrica. Algumas operações podem ser feitas para tornar o processo mais eficiente, como a triagem dos resíduos que irão para uma câmara de combustão, para que assim o aproveitamento energético seja eficaz. (Jorge H., Erica M. Pave, João P. L. E.)

Outro método antigo de tratamento de lixo é a compostagem, que consiste em um conjunto de técnicas aplicadas para controlar a decomposição de materiais orgânicos, com a finalidade de obter, no menor tempo possível, um material estável, rico em húmus e nutrientes minerais; com atributos físicos, químicos e biológicos superiores (sob o aspecto agronômico) àqueles encontrados nas matérias primas. O produto final resultante do processo de compostagem pode ser considerado como um enriquecedor do solo, ou seja ele poderá ser aplicado ao solo para melhorar a suas características, sem que haja uma contaminação do meio ambiente. (http://resorganicos.weebly.com/sobre-a-compostagem.html)

O lixo domiciliar pode ser tratado através da compostagem por dois métodos. O natural, que é aplicado a pequenas comunidades; e o acelerado, em que é necessário a construção de uma usina para a otimização da atividade biológica dos microorganismos. (www.docstoc.com/docs/13460075/Lixo)

A decomposição da parte orgânica do lixo é feita por microorganismos que transformam complexos orgânicos em compostos mais simples, ocasionando a liberação de diversos gases, como o metano e o gás carbônico.

A temperatura, aeração, umidade e agitação são um dos principais fatores que influenciam na compostagem de lixo domiciliar. (Vilmar Sidnei Demamam Berna)

O tratamento biológico tem ganhado espaço atualmente devido ao avanço da microbiologia. O processo é melhor que os outros processos físico-químicos utilizados, porém exige muito tempo para que o lixo seja tratado da maneira adequada. (Rachel F. P. Nogueira, Wilson F. Jardim)

Os tratamentos biológicos possuem algumas limitações, tais como a susceptibilidade à variação do efluente, presença de compostos persistentes e substâncias tóxicas, a ocupação de grandes áreas de instalação e eficiência limitada para a remoção de cor, demandando muitos dias para que o efluente alcance os valores dos parâmetros de degradação legalmente aceitáveis.

Os processos biológicos consistem em métodos de tratamento nos quais a remoção de contaminantes ocorre por meio de atividade biológica.

Em geral, os processos biológicos apresentam boa eficiência no tratamento de chorumes novos, os quais possuem maior concentração de matéria orgânica biodegradável. Já em aterros velhos, onde o chorume produzido apresenta baixa biodegradabilidade, esses processos normalmente são empregados em conjunto com outros processos de tratamento, de modo a aumentar a eficiência dos sistemas.

( Luciana Paulo Gomes)

A célula foto-eletroquímica utiliza eletrodos para tratar o chorume proveniente de um aterro sanitário antigo. O sistema proporciona a retirada de componentes do efluente, entre eles, íons metálicos, tais como Mg, Ca, P, Fe, Cu, Si e Ti.

Este processo representa uma nova tecnologia que está em ascensão no campo ambiental, e tem se mostrado capaz de remediar diversos tipos de efluentes de diferentes origens, e devido às suas características favoráveis para oxidação de compostos orgânicos, a fotocatálise heterogênea está se mostrando muito eficiente também para a remoção de cor e odor.

O tratamento eletrolítico é versátil quanto ao volume e quanto à variabilidade do efluente a ser tratado, oferecendo diminuição do tempo de tratamento, facilidade de automação e pequenas áreas instalação. Isso faz com que o tratamento seja econômico e sane certas deficiências do tratamento biológico. Como nos processos eletroquímicos o reagente principal é o elétron, este se torna vantajoso ambientalmente, além da possibilidade da não-geração de subprodutos. (Ederio Dino Bidoia, Peterson Bueno de Moraes, Isabel Celeste Caíres Pereira Gusmã)

Embora a utilização do sistema tenha promovido elevadas remoções de cor, toxicidade e amônia em curto intervalo de tempo, devido ao alto custo de operação, indica-se os processos utilizados como complementares ao tratamento biológico de chorume, sob a forma de polimento do efluente.

A fotocatálise heterogênea é uma alternativa promissora que através de um semicondutor sensibilizado pela radiação ultravioleta (UV) promove a geração de radicais hidroxila e conseqüentemente a degradação de inúmeros compostos. O semicondutor TiO2 é um fotocatalisador usualmente empregado na fotocatálise heterogênea por possuir propriedades atóxicas, ser insolúvel e extremamente estável em soluções aquosas fotocatálise.

(http://www.prp.unicamp.br/pibic/congressos/xvicongresso/paineis/030801.pdf)

O tratamento fotocatalítico é um método bastante eficiente, na medida em que oferece versatilidade quanto ao volume e variabilidade do efluente a ser tratado, relativa facilidade de automação e diminuição do tempo de tratamento. A aplicação da técnica fotocatalítica em chorume provenientes de lixos de aterros sanitários visa reduzir a carga poluidora. (http://www.prp.unicamp.br/pibic/congressos/xvicongresso/paineis/030801.pdf)

O reator de plasma (considerado o quarto estado da matéria), é uma das técnicas mais recentemente descobertas, utiliza plasma gasoso (gás aquecido por descarga elétrica, com temperaturas muito elevadas, acima das obtidas na combustão) como fonte de calor para converter energia elétrica em energia térmica para transformar o lixo em gás. (Raquel Dias Aires, Thiago Araújo Lopes, Rodrigo de Moraes Barros, Cassiana M. R., Coneglian, Geraldo Dragoni Sobrinho, Sandro Tonso e Ronaldo Pelegrini.)

No reator, o lixo se degrada e gaseifica gerando gases menos poluentes do que os obtidos em processos usuais de tratamento de resíduos, como em aterros sanitários ou incineração.A maior vantagem do processo está na eficiência para resolver o problema do lixo, uma vez que trata os resíduos que não podem ser reciclados. Os aterros sanitários geram gás carbônico (CO2) e metano, este segundo gás é ainda pior que o primeiro como causador do efeito estufa. Este processo ainda produz CO2, mas já está livre dos malefícios do metano.

A tocha de plasma utilizada no processo alcança temperaturas mais elevadas que as caldeiras da incineração, e podem ser elevadas ou reduzidas rapidamente. Com isso, há uma redução na produção de dioxinas e um aumento na eficiência do processo, restando menos resíduos da queima. Os materiais inorgânicos do lixo são fundidos e tornam-se inertes no processo, reduzindo consideravelmente a produção de cinzas, o que permite a aplicação das sobras na fabricação de pisos ou asfalto, por exemplo.(http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=010115070919)

Muitos estudos feitos por pesquisadores mostram que ainda não é possível determinar a quantidade exata da produção de energia. Todavia, ainda que a energia gerada seja a mesma da energia necessária para realimentar o processo, isto por si só já ajudaria a resolver a questão do lixo, um dos maiores problemas ambientais da atualidade. No entanto, deve-se salientar que o reator de plasma encontra-se ainda em fase final de desenvolvimento. (http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=010115070919)

Os cientistas explicam que resíduos do lixo que não se transformam em fumaça e se solidificam depois de serem removidos do reator e resfriados podem ser usados para pavimentação de ruas e calçadas. Estudos mostram que, caso o processo seja bem sucedido, permitirá que o lixo tenha destinação ecologicamente correta – ao se evitar que vá parar em aterros – e, ainda, gere energia para outros tipos de uso. Com o novo reator, os primeiros estudos abordarão a qualidade do gás produzido no equipamento. Uma turbina a gás e um gerador serão adquiridos por meio de projeto de pesquisa aprovado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), para estudar o tratamento de resíduos da indústria do petróleo. (http://www.agencia.fapesp.br/materia/7668/especiais/lixo-energetico.htm)

Idealiza-se que esse processo de geração de energia seja integrado a uma cadeia de coleta e de separação dos resíduos. O lixo passaria por uma triagem para a seleção de materiais recicláveis. O melhor tipo de lixo para a geração de energia é constituído de madeira e plásticos sujos que, por terem sido reciclados muitas vezes, não podem mais ser reaproveitados.

O processo é iniciado pela formação do plasma, cujas temperaturas devem ser controladas, uma vez que podem alcançar até quinze mil graus Celsius. O lixo deve, então, ser inserido no reator a fim de ser dissolvido, gerando gases com alto potencial energético e baixa toxidez. (Marcelo Andriotti)

Estes, por sua vez, são transferidos para uma turbina a fim de movimentar um gerador de energia elétrica, que é utilizada em parte, para a geração de plasma. O reator é auto-suficiente, pois produz energia para o seu próprio funcionamento, reduzindo custos no processo de tratamento do lixo. Ademais, o reator pode dar lucro com a comercialização da energia. (Marcelo Andriotti)

O que os pesquisadores estão avaliando, quando o novo equipamento deve estar funcionando, a capacidade de produção de energia elétrica dos resíduos e o potencial econômico da produção excedente. Como não existe atualmente nenhum reator funcionando em alta escala, só existem cálculos teóricos indicando que cerca de 15% da energia produzida pode ser excedente.(Marcelo Andriotti)

Durante o processo ocorre a formação de uma substância similar a lava vulcânica, oriunda da fundição de metais e cerâmicas, que é retirada do reator e em seguida resfriada, a fim de se transformar em um material que pode ser usado como brita. Apesar de poder possuir metais pesados em sua composição, o material não é tóxico, uma vez que os metais são aprisionados, não oferecendo risco de contaminação do solo ou da água. (Marcelo Andriotti)

Atualmente, possui-se tecnologia para reduzir as emissões globais de metano dos aterros sanitários e do processo de incineração. Além disso, uma vez que os depósitos de lixo são construídos próximos às regiões metropolitanas, a energia produzida a partir do lixo pode ser aproveitada por estas. ( Rachel Martins Henriques)

CONCLUSÂO

Os resíduos sólidos urbanos, quando dispostos em lixões, geram metano, que contribui para o aumento da concentração de gases intensificadores do efeito estufa, já que a emissão para a atmosfera se dá de forma descontrolada.

Com o tratamento e armazenamento eficientes do lixo, torna-se possível aproveitar energeticamente para diminuir o consumo de combustíveis fósseis, reduzindo os impactos ambientais.

Muitos lugares aproveitam o lixo e são exemplos de sucesso, como Madri, capital da Espanha, onde 50000 habitantes recebem energia elétrica gerada a partir da reciclagem de lixo. Nos Estados Unidos, a indústria de reciclagem de lixo fatura 120 bilhões de dólares por ano. No Brasil, na cidade de Nova Friburgo foi criada a EBMA – Empresa Brasileira de Meio Ambiente, que desenvolve uma técnica de aproveitamento energético do lixo.

(http://pdf.investnews.com.br/pdf/gzm/jornal/2008/10/20081021-F.pdf)

Observa-se então, que criando uma alternativa para a destinação destes resíduos com alto potencial energético, há como contribuir para a melhoria da sociedade em diversos aspectos.

Em suma, observa-se que o tratamento e reaproveitamento do lixo resolvem diversos problemas tanto no aspecto social, tendo em vista que, com menos lixo nas ruas, a taxa de doenças causadas por ele diminui; quanto no estético, pois põe fim à poluição visual; e principalmente no econômico-energético, por criar uma forma alternativa de se obter energia.

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BIBLIOGRAFIA

ABNT – (1992) “Apresentação de Projetos de Aterros Sanitários de Resíduos Sólidos Urbanos.”

ABNT – (1995) “Apresentação de Projetos de Aterros Controlados de Resíduos Sólidos Urbanos.”

MUYLAERT – “Consumo de Energia e Aquecimento do Planeta – Análise do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL – do Protocolo de Quioto – Estudos de Caso.”

Ministério da Saúde FUNASA (Fundação Nacional de Saúde) – manual de saneamento normas e diretrizes 2007 pág 227 a 280

http://www.lixo.com.br/index, Acessado em 23/08/2010

http://proasne.net/ProblematicalixoMirandas.htm, Acessado em 10/08/2010

http://www.reciclagemlixo.com/destinacao/compostagem-do-lixo.html, Acessado em 11/08/2010

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http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=010115070919, Acessado em 10/08/2010

http://www.fne.org.br/fne/index.php/fne/jornal/edicao_65_out_07__1/reator_a_plasma_gera_energia_do_lixo, Acessado em 22/08/2010

http://www.prp.unicamp.br/pibic/congressos/xvicongresso/paineis/030801.pdf, Acessado em 24/08/2010

http://www.abes-bauru.org.br/arquivos/AterroControladoChorume.PDF, Acessado em 23/08/2010

http://resorganicos.weebly.com/sobre-a-compostagem.html,Acessado em 22/08/2010

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https://woc.uc.pt/quimica/getFile.do?tipo=2&id=1164, Acessado em 13/08/2010

https://sites.google.com/a/biomassa.eq.ufrn.br/smallenergyecoenterprise/incineracao, Acessado em 23/08/2010

http://lixo-lixoumproblema.blogspot.com/2008/06/lixo.html, Acessado em 15/08/2010


Responses

  1. Caros

    Encontrei via net a vossa revista onde foi citada a minha tese de Mestrado. Encontro-me presentemente a fazer um doutoramento em Segurança e Saúde e do Trabalho na Universidade do Minho em Portugal.
    Boas festas.

    Gabriela Garrido Ramos

  2. gostei muito da publicação e gostaria de receber sempre noticia por email de novos artigos envolvendo a área ambiental


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