Publicado por: revistainternacionaldoconhecimento | 02/12/2010

ECOLOGIA – INSULAMENTO TRIBAL – PERCEPÇÃO DA REALIDADE EXPANDIDA EM MEIO AMBIENTE NATURAL SUJEITO A LEITURAS AMBIVALENTES DE DUAS DIFERENTES CULTURAS, NUMA EXPOSIÇÃO SUMÁRIA DE CASO. Belmiro Ivo Lunz

INSULAMENTO TRIBAL – PERCEPÇÃO DA REALIDADE EXPANDIDA EM MEIO AMBIENTE NATURAL SUJEITO A LEITURAS AMBIVALENTES DE DUAS DIFERENTES CULTURAS, NUMA EXPOSIÇÃO SUMÁRIA DE CASO.

Belmiro Ivo Lunz

Resumo: Em 2 de novembro de 2010, um individuo presumido de Artibeus Lituratus marcado com coleira plástica numerada foi recapturado no Campus do Centro de Valorização do Homem e da Natureza,CVHN  na região da Floresta no município de Paracambi, Estado do Rio de Janeiro.As circunstancias da recaptura bem como a tarefa de localizar os pesquisadores responsáveis pela marcação é narrada, bem como o impacto desse fato cientifico na mente das pessoas em face de suas crenças.

Palavras chave: Morcego, marcação, recaptura, Mata Atlantica , ecologia, Psicologia humana , Mastozoologia, Antropologia, ecologia.

Abstract: On November 2, 2010, an individual of Artibeuslituratus labeled
numbered plastic collar was recaptured in the Campus of Center for the Enhancement of Man and Nature, CVHN Forest region in the municipality of Paracambi , State of Janeiro. The circumstances of the recapture and the task of finding the researchers responsible for marking is narrated, and the impact of this scientific fact in the minds of people because of their beliefs.

I-INTRODUÇÃO – AMBIENTE MÁGICO

Participamos da manutenção de uma instituição de pesquisas. É uma dessas muitas instituições que existem por aí que pretendem  salvar o planeta. Salvar literalmente , o pessoal não deixa por menos. Não vou dizer aqui qual é o nosso negócio , pois nosso amadorismo na área de negócio nos colocaria no máximo  como massa falida. Digamos que a gente lida com o meio ambiente como uma espécie de sobrevivente. É uma coisa de entusiasmo que já dura meio século e cujo  grande mérito  é a capacidade de sobrevivência nessa direção, sem recursos oficiais. Nossos bem humorados detratores nos dizem que somos por isso  a melhor definição[1] de sustentabilidade das muitas [2]que existem na ecologia.

Pois bem, em vista disso , para garantir o orçamento da instituição ,
trabalhamos extra como professor universitário para assim cobrir as  contas, já
que a parte  principal dos custos de mão de obra , é coberta por trabalho de
colaboradores voluntários.  O  trabalho universitário nos toma três  dias
inteiros por isso chegamos  a  instituição sempre no meio da semana.

II-OCORRENCIA

Em 4 de novembro de 2010, ao chegar na instituição , que fica numa região isolada de matas densas fui interceptado por um colaborador que  me narrou um fato local recente . Disse-me ele:

-Olha professor ,eu estava aqui , sózinho no dia de finados [3] , quando os cães
sem qualquer motivo aparente , começaram a uivar desesperadamente. Mesmo agora quando estou lhe falando,  chego até me arrepiar e mostrou  o braço com os pelos eriçados. Subi, disse-me ele e fui ao prédio de cima e quando estava no meio das escadas fui atacado por um morcego que chegou a rasgar minha bermuda. Como eu estava com um porrete na mão dei dois golpes no bicho e o matei. Olha ele aqui. Me
mostrou então, dentro de uma garrafa pet cortada , o exemplar  de um morcego. Me
pediu então que observasse que o bicho estava com um colar de miçangas
vermelhas e pretas, numa alusão as cores proclamadas para aquelas entidades
espirituais ditas poderosas  com origem nas crenças  de religiosidade africana.

III-PROVIDENCIA IMEDIATA

Uma vez que o bicho cheirava mal ,havia necessidade urgente de descartá-lo .
Porém era preciso preservar minimamente  as características mumificáveis do
espécime visando sua acessibilidade futura para estudo dos  pesquisadores
disponíveis nessa linha de pesquisa. Pedí-lhe então , reverenciando as crenças do nosso colaborador, que fizesse um enterro respeitoso do bicho. Mas que  fizesse num balde desses usados comercialmente para acondicionar tinta de parede pronta para uso[4 ] . Instruí para que pusesse inicialmente   metade de terra no balde , a seguir acomodasse
o bicho , cobrindo-o então  com um terço de terra.

IV -PROVIDENCIA POSTERIOR

Quando tive oportunidade de acessar a internet , iniciei uma varredura  com o
Google em língua portuguesa apontando para “Morcegos anilhados”. Me deparei com
muitos artigos científicos sobre o assunto. Um deles na Revista [5]
Biotaneotropica ISSN1676-0603, Fazia referencia ao deslocamento de uma espécie
de morcego (Artibeus Lituratus) entre a Ilha de Itacuruçá e o continente[6]. O
artigo vinha assinado por oito pesquisadores e georeferenciava  o experimento
nas proximidades de nosso campus. Fiz contacto por e.mail com os articulistas. A
pesquisadora do Laboratório de Diversidade de Mamíferos, no Instituto de
Biologia da UFRRJ , Doutoranda do PPGEE (UERJ) Luciana Costa ,respondeu ao
comunicado. Provavelmente eu tinha encontrado a “Dona” do bicho. Na sua
resposta por e.mail , Luciana informou-me que provavelmente estaria em nosso
campus dia 16 de novembro , na  terça feira próxima, para resgatar sua
preciosidade [7] . Só me faltava aguardar.

V-IMPACTO MISTICO

Nesse ínterim, voltei a conversar com nosso colaborador sobre o “Artibeus”.
Disse-lhe  que provavelmente tinha encontrado a “dona” do bicho, e tentei
informar as circunstancias cientificas que conduziram o assunto e motivaram o
achado. Nosso colaborador, sujeito muito vivido conforme se caracterizava ,
replicou que sabia do ritual afro de botar colar em morcego e que na sua idade
não ficava bem ser ludibriado.Disse que sua família tinha vivencia por muitas
gerações nesses assuntos, e por isso não havia como cair nesta conversa.

Não houve jeito de convencer a este espécime humano , por mais que eu tentasse , que outros tipos de humanos se empenham em esforços para conhecer profundamente o universo biológico que nos cerca. E que isso é um trabalho da ciência.

Tenho agora que lembrar a Luciana para que coloque no seu currículo Lattes, mais um titulo, outorgado pela comunidade  da Floresta , em especial pelo nosso
colaborador : Chefe de ritual do colar do Morcego-rei, com a comenda da ordem do “Artibeus Lituratus”[8].

VI-CONCLUSÃO

Certas sociedades humanas  que convivem na periferia da mata atlântica e por extensão outras , não compreedem o esforço acadêmico empreendido para busca do conhecimento. Deixá-las intactas como culturas independentes como pretendem algumas correntes atuais de pensamento representa um risco. A comunicação para o necessário processo civilizatório precisa ser facilitada embora nisto se esteja incorrendo algum ônus ou perda de valor tribal.[9]

REFERENCIAS

[1] Eric Freyfogle, Why Conservation Is Failing and How It Can Regain Ground (Yale University Press, 2006)

[2]Ironia que acomete a ecologia: ter muitas definições para sustentabilidade e
sustentabilidade de menos para a realidade.

[3]No Brasil o dia 2  de novembro é feriado nacional dedicado a lembrar e
homenagear os mortos.

[4] Com capacidade de 18 litros , aplicáveis a reuso.

[5] Biota Neotropica é uma revista do Programa BIOTA\FAPESP- O  Instituto
Virtual de Biodiversidade,que publica resultados de pesquisa original,vinculada
ou não ao programa, que abordem a temática caracterização, conservação e uso
sustentável da biologia na região tropical.Está integral e gratuitamente
disponivel no endereço http: //www.biotaneotropica.org.br

[6]A versão completa do artigo original está disponível em
http://www.biotaneotropica.org.br/v8n2/pt//abstract short-Acepted?communication+bn00808022008

[7]veja Noticias de participações: Integração científica, por Sheyla Souza. Publicado por: revistainternacionaldoconhecimento.wordpress.com , 25/11/2010

[8]  Msc. Luciana M. Costa :Comunica resultados- Pertence a espécies Phyllostomus hastatus e não Artibeus lituratus., Laboratório de Diversidade de Morcegos – UFRuralRJ Brasil. by e. mail . Wed, 24 Nov 2010 03:24:31 -0800 (PST).

[9]Berthold Zilly, Sertão e nacionalidade, formação étnica e civilizatória do Brasil segundo Euclides da Cunha, Estudos Sociedade e Agricultura, 12: abril 1999:5-45-Disponivel em 29/10/10 na bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/brasil/cpda/…/zilly12.htm – Similar


Responses

  1. Gostei do seu artigo, bom mesmo. abçs


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